terça-feira, 20 de março de 2012

O Homem e o Vinho – Cultura e Prazer!

Classicamente dos quatro fatores (solo, clima, uva e o homem) para se fazer um bom vinho o homem é o menos importante. Historicamente o homem é o mais importante!

Como sabemos o homem e o vinho convivem há muito tempo, e sem ele jamais teríamos descoberto o imenso prazer de beber uma das bebidas mais alegres da humanidade. 
Desde os mais remotos tempos há indícios de que o homem e a vinha convivem, e talvez por isso possamos supor que o vinho já tivesse sido descoberto muito antes do que a história comprova.
Qual seria, então, o encanto que essa bebida nos provoca, nos acompanha, se renova, assim como nossa humanidade? Parece que o vinho é um dos elementos universais, atemporal e permitido nas mais diversas culturas. Isso é o Vinho Cultural!
Através do vinho transpomos oceanos, continentes, leva-se um modo de vida, e essa “permeabilidade” para mim tem um nome: Simplicidade.
 O vinho é o produto da simplicidade, talvez uma das culturas agrícolas que menos requer a mão do homem. Fruto da ação natural, da cumplicidade da terra e seu clima, ou como aprendi uma vez, uma conspiração para que tudo funcione organicamente.

Talvez porque o vinho provoque algo além de um simples produto agrícola, mas não abandona a simplicidade de quem o produz, um artesão e para os que se destacam: artistas...
Talvez porque seja exuberante em sua existência, e rico em seu caminhar, mas um caminho que fala por si, ganha vida depois de engarrafado, não pertence mais ao seu produtor, mas pertence ao prazer do humano.
Ou simplesmente pelo prazer e pela poesia de se fazer e beber um bom vinho
Por sua natureza, provoca o homem a conversar, a celebrar...


Mário Quintana em seu escritório
Como diz o brilhante Mário Quintana:
 Por mais raro que seja, ou mais antigo,
Só um vinho é deveras excelente.
Aquele que tu bebes, docemente,
Com teu mais velho e silencioso amigo.

Já li muitas vezes essa citação e cada vez interpreto de um jeito. É como abri várias garrafas de um mesmo vinho, sempre é diferente. Não sei, mas às vezes duvido que ele se refira a um amigo, para mim seu amigo é a própria taça de vinho...
Assim como a Mario Quintana, o vinho inspirou grandes nomes da humanidade, filósofos, pintores, poetas, dramaturgos, cientistas, músicos e por mais que outras bebidas tenham seus momentos célebres nenhuma outra consegue estar tanto tempo em nossa memória, em nosso foco. Desde o momento em que desenvolvemos a escrita, ou que nos tornamos “civilizados”, o vinho foi escrito em versos, cantado em canções, declamado, descrito em fórmulas e acima de tudo foi o companheiro de todos esses grandes homens. Grandes como Napoleão, que dizia ser o vinho merecido nas vitórias e necessário nas derrotas.

Realmente o vinho é humano, faz parte da mesa e não só do bar, é um hábito, é saudável. 
Sonho com o dia em que o bom vinho seja servido em qualquer bar, restaurante ou lanchonete, na hora do almoço, junto com o nosso trivial comercial, exatamente como fazem europeus ou nossos vizinhos argentinos, algo tão corriqueiro e acessível como uma boa água. Quem sabe já não vem no cardápio uma harmonização simples, do tipo file de frango grelhado, arroz e legumes acompanha uma taça de Chardonnay chileno, ou o bife à cavalo (é, aquele com ovo frito), arroz feijão e salada de alface, acompanhando por um Malbec argentino.

Não importa quando esse dia vai chegar, o que importa é que você que está lendo essa coluna, se acostume com o prazer e que os pequenos prazeres do dia a dia se tornem um hábito para vivermos mais felizes, o que importa é que logo, logo, fará parte uma tacinha de vinho no almoço e outra no jantar, e esse vai se tornando o tão sonhando complemento alimentar, que gera saúde, satisfação e prazer!
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